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A infância? Ainda é um tempo ou virou clique?

Vivemos tempos em que a infância se molda diante de telas. Dedos que deslizam antes de saberem escrever, olhos que percorrem vídeos antes de contemplarem horizontes. A criança na era da tecnologia cresce cercada de estímulos prontos, imediatos, com pouco espaço para a espera, para a dúvida ou o tédio — territórios férteis da criatividade e da descoberta de si.

Do lado de cá, a natureza ainda chama - pela textura da terra entre os dedos, pelo tempo que não exige produtividade, apenas presença. 
A criança que encontra a natureza reencontra também seu ritmo próprio: observa com demora, experimenta com o corpo inteiro. Não aprende apenas o mundo — aprende a pertencer a ele.

A tecnologia promete conexão, mas por vezes rouba um vínculo mais profundo: o da criança com o agora. A infância? Ainda é um tempo ou virou um clique?
Talvez seja o momento de encontrarmos um ponto de convergência - utilizar a tecnologia sem esquecer como se deita na grama, aprender a ler códigos, mas também o voo dos pássaros. 

Afinal, não se trata de escolher entre o chip ou a semente — mas de reconhecer que a infância só sustenta tramas imaginárias quando encontra, no brincar de hoje, o chão onde firmar seus pés.